terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Esclarecimento

Como vou ficar off line por uns dias, gostaria de expressar minha opinião aqui antes do desenrolar dos fatos: sou absolutamente contra a volta de Ronaldo de Assis Moreira para o Grêmio, e pretendo explicar meus argumentos mais adiante, independente do destino final deste ex-jogador.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O maior fiasco da história do futebol


Nos últimos 4 anos, o Rotary Club de Cerro Largo teve 4 dos candidatos que indicou contemplados com intercâmbios no exterior, algo que nos orgulha muito. Mas esta excelência não é mérito do presidente da comissão responsável por este setor no clube (este signatário), mas sim pelo fato de sempre indicarmos candidatos competentes. Se escolhermos um Pedro Bó qualquer para participar da seleção, como aquele que está atravessando a rua ali na frente, além deste ser reprovado, passaremos por grande constrangimento, pois é o nosso clube que estará lá sendo representado por esta pessoa. Indicando bons candidatos, além de mostrarmos a nossa preocupação e a seriedade com a qual tratamos o programa, aumentamos consideravalmente as chances de termos alguém selecionado. É o nosso nome que está em jogo, assim como o da nossa cidade.


Por isso que eu não concordo com aqueles que tentam encontrar um culpado interno para o fracasso do inter em Abu Dhabi, quando protagonizou o maior fiasco da história do futebol mundial ao ser derrotado por aquele time da África que ninguém conhece, acho que o nome é Zambezi, ou Mezzenga, algo assim, algum time lá do Zaire. Nunca antes na história deste esporte uma equipe sulamericana deixara de disputar o título mundial de clubes. Em condições normais e pelo atual progresso do futebol nos outros continentes, isso não poderia acontecer pelos próximos 200, quiçá 300 anos.


Mas aconteceu, aconteceu sim senhores. E quem seria o culpado? O técnico Celso Roth? Os jogadores? Os dirigentes? A imprensa?


Nenhum deles.


O grande culpado, no caso culpada,ou a responsável por este vexame mora no Paraguai e responde pelo nome de Confederación Sudamericana de Fútbol, mas podem chamá-la de Conmebol que ela entende.


Mas que diabos a Conmebol tem a ver com a incompetência colorada?, pergunta-me o transeunte já no outro lado da rua. Eu respondo: foi ela quem indicou uma equipe incompetente, despreparada e incapaz de enfrentrar um desafio de tamanha envergadura. A UEFA já havia cometido tal erro algumas vezes, em 71, 73, 77, 79 e 93, quando foi representado por times que não haviam sido campeões europeus (Panathinaikos, Juventus, Borussia M’gladbach, Malmö e Milan, respectivamente) e que obviamente foram derrotados pelos adversários sulamericanos.


Mas o inter venceu a Libertadores, pô!, grita o cara, já lá na esquina. E eu respondo: BINGO!


Eis o grande problema: a Conmebol não está sendo criteriosa em sua seleção. Para ser campeão da América, o time já não precisa mais passar pelas provações de outrora, que forjavam não só guerreiros como também o caráter. Estádios minúsculos em bairros afastados, arquibancadas de madeira à distância de um braço do gramado, alambrados tremendo na cadência de milhares de mãos calejadas, pilhas, garrafas d’água, pedras, gritos, impropérios, ameaças, frio, gramados esburacados, barro... Os 11 jogadores do outro time eram apenas mais um dos obstáculos a serem vencidos. Quem passasse por tudo isso estava pronto para enfrentar qualquer elenco de estrelas européias. Podiam até perder, mas venderiam caro a derrota.


Mas o cenário mudou: por uma questão mercadológica, que do ponto de vista financeiro é perfeitamente compreensível, e que atende aos interesses de anunciantes e imprensa, a competição passou a priorizar o espetáculo. Arquibancadas confortáveis e acolhedoras, gramados impecáveis, por vezes até sintéticos, arbitragens rigorosas para com toda e qualquer virilidade, dezenas de câmeras captando todos os detalhes do jogo, tudo possibilitando que o time com melhor futebol triunfe e possa comemorar sob uma chuva de prata. Os jogadores de agora, sempre barbeados e com cabelos arrumados, são hábeis com a bola e com os microfones, treinados para se destacarem nas arenas e nos comerciais, batem falta com a mesma habilidade em que fazem o check in em um resort. Mas será que este perfil de atleta está preparado para enfrentar as vicissitudes de um esporte onde o esforço, a dedicação e a entrega podem compensar a falta de habilidade? Podem ser grandes jogadores, muitas vezes até craques, mas terão sido testados adequadamente para este tipo de enfrentamento?


Com frequência se houvem relatos de exageros nos treinamentos de militares ou de tropas de elite, como o BOPE. Acontece que eles apenas estão sendo preparados para situações extremas. Ou vocês acham que os fallschirmjäger tornaram-se os melhores soldados do mundo comendo chucrute e tomando cerveja? O modelo atual da Libertadores da América pode até premiar o melhor elenco, mas nem sempre seleciona o mais preparado para batalhas decisivas. Ou a Conmebol muda a Libertadores, aprimorando a escolha da equipe que representará o continente na competição mundial (o que eu acho improvável que ocorra) ou quando novamente um time despreparado conquiste a América, que arbitrariamente se escolha uma outra equipe, que seja o Cobreloa, o Chacarita, o Danúbio, ou outra qualquer com mais culhões.


Duvido que protagonizem tamanho fiasco como fizeram os colorados ou ainda que percam para o Mambembe.


- É Mazembe! E é do Congo – ouço a voz do cara, já bem distante.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Pior dos Rebaixamentos

O dia e o mês eu não descobri. Naquela época, não se faziam grandes eventos com mídia, canapés e atrizes globais. Mas o ano foi 2002. Isso eu lembro (obrigado Google). Naquele fatídico ano o Sport Club Internacional, nesta que talvez tenha sido a maior auto-humilhação de um clube de futebol, lançou uma camiseta escandalosamente inspirada no uniforme do Ajax, algoz do rival Grêmio no Mundial Interclubes de 1995.

Aquilo que extra-oficialmente fora rotina para os torcedores colorados nas últimas décadas acabara de ser institucionalizado: para ser feliz, somente vestindo a camiseta de um time que pudesse fazer frente às incursões globais do rival tricolor.

E foram muitos: Pañarol, Estudiantes, Flamengo, Independiente, Hamburgo, Nacional (seja o uruguaio, seja o colombiano), River Plate, Palmeiras, Cruzeiro, Vasco, Ajax, Olímpia, Corinthians, e paro por aqui apenas com alguns do mais relevantes para não tornar o texto muito longo… inúmeras camisas passaram a rechear o guarda-roupa dos colorados, sempre na esperança da alegria alheia, pois se esperassem pela felicidade que o próprio time poderia lhes proporcionar, deveriam se contentar com modestos campeonatos regionais. Tanto que passaram a ser conhecidos de modo pejorativo como “colecionadores de camisas”.

A alegria colorada era ver o Grêmio perder. O ato de torcer resumia-se a secar. Muitos não concordam, mas esta era definitivamente a sua realidade. E aquela camisa, ao mesmo tempo em que “atendia” os anseios da torcida, que finalmente poderia ter a até então inalcançável alegria de se sentir Campeão Mundial, ainda mais diante do eterno rival, atestava de maneira definitiva a diminuição do inter perante o Grêmio e confirmava de modo oficial sua condição de secador.

Muito estranho isso, mas de certa maneira este maldito uniforme tornou-se um divisor de águas. Eu, fervoroso devoto de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira das Américas, não acredito em mandinga, encosto, destino, Chico Xavier, Gasparzinho... Mas, coisa estranha, depois que o colorado lançou a tal camisa à holandesa, as coisas começaram a degringolar pros lados da Azenha. Em 2003, ano em que o tricolor comemorou seu centenário, o time lutou o Brasileirão inteiro contra o rebaixamento. No ano seguinte a história se repetiu, mas desta vez com final infeliz. Enquanto que o time chafurdava na lama da vergonha, o rival iniciou uma bem sucedida jornada rumo ao topo: depois daquela história mal contada no Pará, o time beliscou uma Sulamericana aqui, outra ali, vai uma ajudinha do juiz, uma entregada do goleiro adversário, uma desmotivada equipe de reservas da Catalunha e pronto: o Internacional alcançou o cume da glória. De agora em diante o colorado não precisaria mais se travestir de outra torcida para se sentir vitorioso, pois a própria camisa vermelha do time do coração já lhes dava este direito. Não havia mais necessidade de secar.

E o Grêmio até hoje não conseguiu se reerguer plenamente. Apesar de apresentar resultados expressivos, de taça que é bom ainda não veio nada. A rotina Gremista tem se dividido entre torcer pelo tricolor e – tristeza - pelos incompetentes adversários do rival. Agora são os tricolores que se desesperam com as malfadadas tentativas de Banfield, Pachuca, Deportivo Quito, Chivas e outros de conter o ímpeto colorado. É o que nos resta. Se dermos sorte talvez possamos desfilar pelas ruas no ano que vem com uma camisa Gremista com listras verticais azul escura e preta, tal qual a da Internazionale de Milão. Tenho certeza que seria um sucesso de vendas e um consolo para uma torcida carente de alegrias. Isso, é claro, desde que… bem, vocês sabem qual é o meu grande temor.

O Grêmio de tantas glórias já foi rebaixado duas vezes. Nenhuma delas foi tão vergonhosa como esta terceira.

O Grêmio se rebaixou a secador.

O Grêmio se rebaixou a inter.



- Germano Jaeschke Schneider

Esta é a minha última participação no FutebolForça.com, blog que ajudei a construir e cuja participação trouxe-me muitas alegrias. A partir de agora, dedico-me exclusivamente ao ADHD.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ponto Final.

"...porque não somos e não queremos ser uma empresa que comercializa o ensino visando ao lucro econômico. O lucro é um meio para um fim maior."

Muito bonita esta frase. Comovente, eu diria até. Mas também cômica, desde que se busque a origem dela.

Um pesquisada no Gugou nos mostra que ela está no sétimo parágrafo do texto onde consta a "Filosofia da Ulbra", universidade que ficou nacionalmente conhecida por seus problemas financeiros, concomitantes com as excentricidades de seu reitor, cujo principal símbolo era o Museu de Tecnologia, famosa por seu extraordinário acervo de automóveis antigos.

Este museu era o que havia de mais expressivo em termos de antigomobilismo nacional. Nunca foram reunidos em um único lugar aberto à visitação pública tantos automóveis antigos tão impecavelmente restaurados. 

Pode parecer estranho, mas eu que sou apaixonado por carros antigos (que volta e meia viajo 500 Km para assistir a um jogo de futebol) nunca fui ver este museu. Tenho meus motivos, algo relacionado com a instituição Ulbra, mas sobre isso escreverei em outro texto. Mas meu pai esteve lá, e trouxe o livro Museu de Tecnologia Ulbra, que é na verdade um registro fotográfico de alguns dos automóveis do acervo (no final da publicação, todos os modelos estão listados), com um pequeno texto a respeito do modelo em questão. Leitura rápida, fiz em uma noite de outubro, acompanhado de dois cálices de um bom cabernet sauvignon do Valle del Maipo.

Não esperem encontrar automóveis "comuns", como Ford 29 ou 41: todos os carros têm, ou melhor, tinham algo que o tornavam raros ou especiais, o que ficava bem claro nos textos, que também continham  alguns auto-elogios, principalmente em referência ao resultado final da restauração, que era feita por uma equipe da própria universidade. Algo do tipo "era uma restauração muito difícil, mas vejam como ficou perfeito nosso trabalho...".

Tirando alguns erros no texto (alguns não correspondiam ao carro mostrado), o livro vale pelas belas fotos, ou melhor, pelos belos automóveis que fizeram parte deste museu que, para a tristeza de muitos antigomobilistas, se fragmentou em inúmeras coleções particulares, onde muitos destes carros dificilmente serão vistos novamente, ficando guardados em algum galpão no interior de São Paulo, à disposição apenas dos donos e de poucos privilegiados.
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